Os Esperançosos
Ah, os apaixonados! Eu, que no grupo dos esperançosos me encontro, tive hoje a oportunidade de avistar, andando pelas ruas, um casal. Como circulava pelas ruas em cima de uma motocicleta, tive a oportunidade de vislumbrá-los por pouco menos que um minuto, e na breve parada que fiz em uma placa de parada obrigatória, vi, assim, de relance, aquele sorriso típico dos apaixonados.
Acho que é de percepção comum o sorriso apaixonado que se estampa no rosto quando o nome da pessoa amado é citado em uma conversa. Ele é ainda mais nítido quando a paixão ainda é secreta, apesar de visível pelo brilho nos olhos. No rapaz, o brilho no olhar exprimia aquela insegurança inicial, de quando se ama sem saber ao certo se é amado de volta. Na moça, o olhar expressava o brilho de felicidade se se sentir amada - acho que as mulheres percebem com mais rapidez quando se é desejada.
Pareciam falar de amenidades, daquelas que tanto faz o que tá sendo dito, cuja única importância é ouvir a voz do desejado. O rapaz afoito para que o trajeto se estendesse o máximo possível, a moça, regredindo os passos para que a caminhada durasse o dobro do que deveria durar se andasse em um ritmo comum.
O amargurado que visse essa cena, talvez pudesse pensar nos dissabores das desilusões amorosas e se sentir no direito de alertar ao casal que tudo aquilo não passaria de uma efemeridade, que logo a realidade iria se estampar diante deles e os sorrisos iriam, sem dúvidas, se transformar em lágrimas, que assim que escorressem pelas bochechas, subiriam os escudos do coração e este, o coração, gritaria impropérios que afastariam de vez a possibilidade de se entregar as paixões novamente. Coitado, deixaria de conhecer a beleza, pura e simplesmente, por temer a desilusão.
Como não sou amargurado - muito pelo contrário, esperançoso que sou -, me alegrei pela alegria alheia de pessoas que nunca vi, e muito provavelmente nunca verei. Me alegrei, em primeira instância, porque acredito que pessoas felizes fazem o mundo feliz. Depois, porque me vi diante da companhia do amor, sorrindo sem razão, como se caminhasse por um caminho sem fim, uma vez que a chegada não era o objetivo, mas sim o trajeto e a presença de quem me acompanhava.
Talvez seja eu, um dia, a caminhar pelas ruas, sorrindo para a minha amada, enquanto somos observados por alguém que se alegra com nossa alegria. Por que, em um mundo onde reina as incertezas, os esperançosos pavimentam o caminho para a felicidade.
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