Candidato a Paixão
Você que me lê neste exato momento, muito provavelmente, já se apaixonou um dia. Se você é uma pessoa segura, bem resolvida com os seus dilemas e defeitos, bem-apessoada — o ideal perfeito do que todos deveríamos ser —, muito provavelmente se declarou para sua pessoa amada. Se você tinha todas essas características que citei, a chance de ter sido correspondido é de cerca de oitenta e sete por cento. De onde veio esse número? Da minha cabeça. Fiz uma pesquisa estatística baseada em nada. Mas, se você é o exato oposto dessas características, vai reconhecer o suor que escorre, principalmente nas mãos e pés (ou nas axilas), o frio na barriga e o coração batendo como se fosse um carro de Fórmula 1, tudo isso só de cogitar a ideia de se declarar.
Se parar para pensar, é todo um drama ser uma pessoa funcional que sente, né? Me pergunto se é por isso que as novelas e a literatura fazem tanto sucesso. Você sente o que o personagem sente, mesmo as dores, e, no final, dá tudo certo. Aí você pensa: nem toda obra tem final feliz. Não é muito melhor sofrer de mentirinha do que de verdade?
Agora você deve estar pensando: tá, mas onde você quer chegar com essa conversa sobre paixão? Ao que eu respondo: ora, eu queria fazer uma reflexão extremamente profunda, baseada em experiência e na psique humana, mas não tenho conhecimento nem talento para tal. Calma, vamos chegar lá, essa é só uma conversa entre dois camaradas que compartilham, talvez, experiências semelhantes. Se são experiências de fracasso ou sucesso? Depende de como você olha para sua própria história. Há quem diga que todo fracasso é um caminho para o sucesso. Talvez seja interessante olhar desse jeito, não acha?
Sabe o que é engraçado? É que a paixão não está nem aí para um monte de coisa com a qual os seres humanos estão muito preocupados. Esses dias mesmo li que um promissor jogador de futebol teria de escolher entre seguir fazendo o que ama — como carreira — ou abandonar os gramados para se casar com a princesa da Espanha e ser o futuro rei de uma nação inteira. Não parece uma história literária? Ao menos um folhetim, vai? E muitas pessoas, de culturas, crenças, raças e nacionalidades totalmente diferentes, se apaixonam diariamente; afinal de contas, como eu disse, a paixão pouco se importa com os rótulos que os seres humanos criaram para si mesmos.
É nesse ponto que entra a reflexão: quantos amores não se perderam, quantas histórias interessantíssimas de terem sido vividas se perderam devido aos rótulos que os casais possuíam em sua bagagem chamada vida? Um número extremamente alto, se a gente voltar até o tempo das cavernas. Mais uma vez, estatísticas elaboradas pelas vozes da minha cabeça. E a questão aqui não é concluir que deveríamos largar tudo e viver o amor. O mundo real é bem mais complexo do que isso. Como muitas avós dizem por aí, o amor não põe a mesa (ou seria não enche barriga?).
Enquanto redijo este texto, me pergunto se não haveria algum site onde eu possa me candidatar para futuro rei de alguma nação. Nem que fosse de uma nação chamada lar.
Comentários
Postar um comentário
Poxa, deixa um comentáriozinho aí...